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Questão de Afinidade
domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um negro não muito encaixado nos padrões de beleza atuais como garanhão na novela das oito. Um gay e um traveco homossexual e um(a) transexual negros no reality show mais famoso do país. Com isso dá pra perceber uma, mesmo que mínima, mudança de comportamento no principal horário da nobre Rede Globo. O problema é o da poltrona.


Primeira semana da décima primeira edição do Big Brother Brasil: 17 participantes, 4 negros ( Boninho aumentou as cotas), paredão triplo, 3 negros no paredão, uma dançarina, uma ex-prostituta transexual e um jornalista gay. Se isso for apenas questão de afinidade, não sei mais o que é racismo. “(...) A afinidade no BBB é apenas uma questão de pele e origem”, diz José Roque Peixoto do site Correio Nagô. Ao público foi dada a missão de escolher o pior entre os três. Claro, o menino que mudou e vendeu o corpo saiu da casa mais vigiada do país com um número alto de votos.

Na novela das oito, o pico mais alto do ibope brasileiro, também em sua primeira semana de exibição mostra Lázaro Ramos em um papel inusitado, um designer rico e pegador. Isso. Rico E pegador. Poucos segundos após sua aparição e o ator já tinha o nome estampado nos assuntos mais comentados no twitter. E não foi por conta de sua atuação, toneladas de twitteiros se diziam inconformados com o autor da novela por ter escolhido Lázaro para galantear. Alguns diziam que não era por ele ser negro, mas por ele ser feio. Vejamos, Tony Ramos ‘pegou’ Patrícia Pillar, Mariana Ximenes e Maísa na novela anterior e não houve burburinho de tamanha repercussão na internet.


Parece bobagem tomar como exemplo a novela e o BBB, o ponto é que a sociedade brasileira, travestida aí em espectador, não foi preparada pra lidar com tamanhas deturpações do que foi pré-estabelecido. Na escola nos dizem que somos misturados, mas na maioria das vezes não nos ensinam a tratar com naturalidade o que “foge do padrão”.  Os grandes meios de comunicação do país são famosos por não darem espaço a esses tipos de assunto, porém quando o fazem, nós imaturos e carentes de educação, respondemos de maneira assustadora. Soa engraçado que um país latino tenha um déficit tão grande de afinidade com temas relativos à sexualidade, questões étnicas e outros “tabus”. E termino com a velha conclusão de redação de vestibular: Enquanto não tivermos uma reforma na educação primária, o país continuará achando que todos que a ele pertencem são brancos, belos, héteros, e de olhos azuis



Matéria para o blog Meu Carro é Vermelho

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